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CAUSAS
Não
se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há
autores que evidenciam como causa a interação
sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos
psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade
de personalidade.
Aspectos
biológicos incluem as alterações hormonais
que ocorrem durante a puberdade e as disfunções
de neurotransmissores cerebrais, tais como a dopamina, a serotonina,
a noradrenalina e dos peptídeos opióides, sabidamente
ligados à regulação normal do comportamento
alimentar e manutenção do peso, além
dos aspectos genéticos.
Vários
trabalhos apontam para uma predisposição genética
no desenvolvimento da anorexia. Estudos demonstram uma taxa
de concordância muito maior em gêmeos monozigóticos
em comparação com gêmeos dizigóticos
(56% contra 5%). Parentes de primeiro grau de pacientes com
anorexia exibem um risco de aproximadamente 8 vezes maior
de apresentar a doença do que a população
geral.
Os
modelos de sistemas familiares procuram identificar determinados
padrões de funcionamento familiar alterado, por exemplo,
minimização de conflitos, envolvimentos da criança
em tensões familiares, pais ausentes, mães que
competem com as filhas, etc. Porém, estes fatores hoje
são vistos mais como mantenedores do comportamento
do que como causais.
Em
cerca de um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa
ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias, particularmente
envolvendo álcool e estimulantes. O uso de estimulantes
freqüentemente começa na tentativa de controlar
o apetite e o peso. É provável que 30 a 50%
dos pacientes com Bulimia Nervosa também tenham características
de personalidade que satisfaçam os critérios
para um ou mais Transtornos da Personalidade (mais freqüentemente
Transtorno da Personalidade Borderline).
Evidências
preliminares sugerem que os pacientes com Bulimia Nervosa,
Tipo Purgativo, apresentam mais sintomas depressivos e maior
preocupação com a forma e o peso do que os pacientes
com Bulimia Nervosa, Tipo Sem Purgação.
TIPOS
Os
seguintes subtipos podem ser usados para a especificação
da presença ou ausência de compulsões
periódicas ou purgações regulares durante
o episódio atual de Anorexia Nervosa.
Tipo
Restritivo. Neste tipo a perda de peso é conseguida
principalmente através de dietas, jejuns ou exercícios
excessivos. Durante o episódio atual, esses pacientes
não se desenvolveram compulsões periódicas
ou purgações.
Tipo
Compulsão Periódica/Purgativo. É quando
o paciente se envolve regularmente em compulsões de
comer seguidas de purgações durante o episódio
atual de anorexia. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa
que comem compulsivamente também fazem purgações
mediante vômitos auto-induzidos ou uso indevido de laxantes,
diuréticos ou enemas. Alguns pacientes incluídos
neste subtipo não comem de forma compulsiva, mas fazem
purgações regularmente mesmo após o consumo
de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior
parte dos pacientes com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo
dedica-se a esses comportamentos pelo menos 1 vez por semana.
Comparados
os dois grupos, os pacientes com Anorexia Nervosa, Tipo Restritivo,
são menos graves e têm melhor prognóstico
que aqueles com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo.
Esses últimos estão mais propensos a ter outros
problemas de controle dos impulsos, a abusarem de álcool
ou outras drogas, a exibirem maior instabilidade do humor
e a serem sexualmente ativos..
TRATAMENTO
Uma
das primeiras dificuldades é a que diz respeito à
aderir o paciente ao tratamento, pois, como imos, a negação
da doença é muitas vezes parte integrante do
quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam
dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e
interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las
perder a vontade de controlar seus pesos. Portanto, o médico
deve encorajar hábitos alimentares normais e ganhos
de peso sem que isto se torne o único foco do tratamento.
O relacionamento entre os sexos está seriamente ameaçado
pelos novos padrões de beleza que as mulheres estabeleceram
para elas mesmas.
A
persistente recusa da mulher moderna em ser feminina, submetendo-se
à amputação dietética de suas
curvas mais estrogênicas, sempre atribuído à
afirmação demagógica de que se sentem
melhor assim, desestimula substancialmente o interesse masculino.
Há
homens que começam a pesar em ser leais às prostitutas,
que ainda se mantém fieis às aspirações
masculinas...
E
as mulheres absolutamente normais pagam pela obsessão
da magreza; elas acabam se achando falsamente gordas, pois
as lojas só dispõe de roupinhas para barbies.
Dependendo das condições clínicas da
paciente, é necessário, muitas vezes em função
de uma caquexia, proceder a internação da paciente
para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar.
A família deve ser orientada sobre a gravidade do problema,
sobre falsas expectativas e de que a cura não será
fácil.
Se
o tratamento é em regime de hospitalização
procede-se à correçào hidroeletrolítica,
dieta hipercalórica mesmo contra a vontade da paciente,
correção de possíveis alterações
metabólicas e início do tratamento psiquiátrico.
Psicologicamente
deve-se abordar o caso cognitivamente e/ou comportamentalmente,
encorajando a adoção de atitudes mais sadias
por parte da paciente, que é recompensada com elogios
e diminuição de situações aversivas
como restrição de sua mobilidade. A psicoterapia
individual é indicada visando a modificação
do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos
de pensamento.
A
psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente,
se faz às custas de antidepressivos, notadamente com
tricíclicos que tenham como efeito colateral também
o estímulo do apetite e o ganho do peso, como é
o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina. Havendo
necessidade de sedação (quase sempre há),
recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferentemente,
com aqueles que também aumentam o apetite, como é
o caso da levomepromazina.
Mesmo
após a melhora é bom ter em mente que as recaídas
são freqüentes. No caso da internação,
a taxa de recidiva imediata é superior a 25%. Portanto
o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por anos.

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