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  Cuidado com a barriguinha!


Uma pesquisa inédita e novíssima, comprova que a gordura abdominal, mais conhecida como pneu, traz riscos ao coração. Faça o teste para saber se a sua circunferência está sob controle. E saiba como reverter o problema

FABIANA GONÇALVEZ

Quando sentimos que estamos acima do peso, nossa referência é geralmente a balança, as roupas mais apertadas, ou o reflexo de formas mais arredondadas, no espelho . Daí, basta fazer uma dieta, perder peso e achar que tudo está resolvido, não é mesmo? Nem sempre.

 

Uma pesquisa inédita denominada Shape of The Nations, realizada em 27 países, incluindo o Brasil, e coordenada pelo Grupo Sanofi-Aventis com o apoio da Federação Mundial de Cardiologia (WHF), mostra que o peso não é o único quesito a considerar para verificar se estamos num patamar saudável. Tanto que, este ano, a campanha da Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) Peso Saudável, Medidas Saudáveis tem como tema obesidade abdominal.

 

Isso porque o problema é considerado hoje, pelos cardiologistas, um indicador básico de risco para doenças cardiovasculares, muito mais relevante que o IMC (índice de massa corporal). Porque? Concluiu-se que a gordura abdominal contribui para elevar os níveis de colesterol ruim (LDL), aumentar a resistência à insulina e as taxas de triglicérides, além de reduzir o bom colesterol (HDL).

 

Saliência comprometedora

Essa gordura tem chamado a atenção dos médicos, porque ela aumenta significativamente as chances de uma pessoa desenvolver doenças cardiovasculares como o infarto. Para se ter uma idéia, no Brasil, um levantamento feito pelo Projeto Corações do Brasil, coordenado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, trouxe uma resposta assustadora. Entre 1.239 pessoas, com mais de 18 anos, apenas 30% das mulheres e 55% dos homens estavam dentro dos parâmetros recomendados pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) para circunferência abdominal, ou seja: no máximo 80 cm, nas mulheres; e 90 cm para os homens. "A obesidade já é a segunda causa para ocorrência de doenças cardíacas. Ela só perde para o tabagismo. Isto é, o risco é ainda maior do que hipertensão, diabetes e colesterol elevado", certifica o cardiologista Álvaro Avezum, diretor da Divisão de Pesquisa do Insituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo.

 

Para o endocrinologista Alfredo Halpern, professor da Faculdade de Medicina da USP, a obesidade abdominal é fator relevante para a chamada síndrome metabólica (doenças relacionadas ao aumento de peso). São as seguintes:
• Obesidade abdominal
• IMC acima de 30
• Dislipidemia aterogênica (triglicerides alto, menor quantidade do bom colesterol (HDL) e maior do mau colesterol (LDL)
• Tabagismo
• Diabetes
• Hipertensão arterial
• Sedentarismo
• Resistência à insulina
• Intolerância à glicose

 

Por isso, Halpern enfatiza que eliminar a velha "barriguinha de chope" é uma necessidade que vai muito além de um padrão estético. "A saúde de um indivíduo pode estar ameaçada não apenas pela quantidade de gordura, mas também pelo local onde está localizada. Compare: se a sua silhueta for do tipo pêra, ela se caracteriza pela tendência de ganhar peso ao redor dos quadris e das nádegas. Por outro lado, se ela parece com uma maçã, você tende a ganhar peso na região da cintura (barriga). Pronto: é exatamente aí que esse acúmulo aumenta a probabilidade de doenças do coração", alerta o médico.

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