
Quando sentimos que estamos acima do peso, nossa referência é geralmente
a balança, as roupas mais apertadas, ou o reflexo de formas mais
arredondadas, no espelho . Daí, basta fazer uma dieta, perder peso
e achar que tudo está resolvido, não é mesmo? Nem sempre.
Uma pesquisa inédita denominada Shape of The Nations,
realizada em 27 países, incluindo o Brasil, e coordenada pelo Grupo
Sanofi-Aventis com o apoio da Federação Mundial de Cardiologia (WHF),
mostra que o peso não é o único quesito a considerar para verificar
se estamos num patamar saudável. Tanto que, este ano, a campanha
da Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) Peso
Saudável, Medidas Saudáveis tem como tema obesidade abdominal.
Isso porque o problema é considerado hoje, pelos cardiologistas,
um indicador básico de risco para doenças cardiovasculares, muito
mais relevante que o IMC (índice de massa corporal). Porque? Concluiu-se
que a gordura abdominal contribui para elevar os níveis de colesterol
ruim (LDL), aumentar a resistência à insulina e as taxas de triglicérides,
além de reduzir o bom colesterol (HDL).
Saliência comprometedora
Essa gordura tem chamado a atenção dos médicos, porque ela aumenta
significativamente as chances de uma pessoa desenvolver doenças
cardiovasculares como o infarto. Para se ter uma idéia, no Brasil,
um levantamento feito pelo Projeto Corações do Brasil, coordenado
pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, trouxe uma resposta assustadora.
Entre 1.239 pessoas, com mais de 18 anos, apenas 30% das mulheres
e 55% dos homens estavam dentro dos parâmetros recomendados pela
Federação Internacional de Diabetes (IDF) para circunferência abdominal,
ou seja: no máximo 80 cm, nas mulheres; e 90 cm para os homens.
"A obesidade já é a segunda causa para ocorrência de doenças cardíacas.
Ela só perde para o tabagismo. Isto é, o risco é ainda maior do
que hipertensão, diabetes e colesterol elevado", certifica o cardiologista
Álvaro Avezum, diretor da Divisão de Pesquisa do Insituto Dante
Pazzanese de Cardiologia de São Paulo.
Para o endocrinologista Alfredo Halpern, professor da Faculdade
de Medicina da USP, a obesidade abdominal é fator relevante para
a chamada síndrome metabólica (doenças relacionadas ao aumento de
peso). São as seguintes:
• Obesidade abdominal
• IMC acima de 30
• Dislipidemia aterogênica (triglicerides alto, menor quantidade
do bom colesterol (HDL) e maior do mau colesterol (LDL)
• Tabagismo
• Diabetes
• Hipertensão arterial
• Sedentarismo
• Resistência à insulina
• Intolerância à glicose
Por isso, Halpern enfatiza que eliminar a velha "barriguinha de
chope" é uma necessidade que vai muito além de um padrão estético.
"A saúde de um indivíduo pode estar ameaçada não apenas pela quantidade
de gordura, mas também pelo local onde está localizada. Compare:
se a sua silhueta for do tipo pêra, ela se caracteriza pela tendência
de ganhar peso ao redor dos quadris e das nádegas. Por outro lado,
se ela parece com uma maçã, você tende a ganhar peso na região da
cintura (barriga). Pronto: é exatamente aí que esse acúmulo aumenta
a probabilidade de doenças do coração", alerta o médico.
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