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| BULIMIA
NERVOSA |
| As
características essenciais da Bulimia Nervosa consistem
de compulsões periódicas e métodos compensatórios
inadequados para evitar ganho de peso. Além disso, a
auto-avaliação dos pacientes com Bulimia Nervosa
é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo,
tal como ocorre na Anorexia Nervosa. Para qualificar o transtorno,
a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios
inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas
vezes por semana por 3 meses.
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| Uma
compulsão periódica é definida pela ingestão,
num período limitado de tempo, de uma quantidade de alimento
definitivamente maior do que a maioria dos pacientes consumiria
sob circunstâncias similares. O médico deve considerar
o contexto no qual a compulsão periódica ocorreu;
durante uma celebração ou uma ceia festiva, por
exemplo, o que seria considerado um consumo excessivo em uma
refeição comum é considerado normal. |
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CAUSAS
Pouco
se conhece a respeito das causas da Bulimia Nervosa. Possivelmente
exista um modelo onde múltiplas causas devem interagir
para o surgimento da doença, incluindo aspectos socioculturais,
psicológicos, individuais e familiares, neuroquímicos
e genéticos.
Influência
cultural tem ido apontada, atualmente, como um forte desencadeante;
o corpo magro é encarado como símbolo de beleza,
poder, autocontrole e modernidade. Desta forma a propaganda
dos regimes convence o público de que o corpo pode
ser moldado. Assim, a busca pelo corpo perfeito tem se manifestado
em três áreas: nutrição/dieta,
atividade física e cirurgia plástica. Nos EUA
o números de lipoaspiração passou de
aproximadamente 55.900 casos em 1981 para 101.000 em 1988.
Distúrbio
da interação familiar, eventos estressantes
relacionados à sexualidade e formação
da identidade pessoal são apontados como fatores desencadeantes
ou mantenedores da bulimia. Postula-se que alterações
de diferentes neurotransmissores podem contribuir para o complexo
sintomático, notadamente dos mesmos neurotransmissores
envolvidos na depressão emocional.
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TIPOS
Os
seguintes subtipos podem ser usados para especificar a presença
ou ausência regular de métodos purgativos como
meio de compensar uma compulsão periódica:
Tipo
Purgativo. Este subtipo descreve apresentações
nas quais o paciente se envolveu regularmente na auto-indução
de vômito ou no uso indevido de laxantes, diuréticos
ou enemas durante o episódio atual.
Tipo
Sem Purgação. Este subtipo descreve apresentações
nas quais o paciente usou outros comportamentos compensatórios
inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos,
mas não se envolveu regularmente na auto-indução
de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos
ou enemas durante o episódio atual.
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TRATAMENTO
A
grande maioria dos pacientes bulímicos deve ser tratada
em nível ambulatorial, exceto nos casos onde o desequilíbrio
metabólico exige uma intervenção mais
intensiva. É interessante o tratamento ambulatorial
pois, em geral, os pacientes são mulheres jovens estudantes
ou com empregos, donas de casa e com filhos pequenos, onde
o afastamento seria prejudicial.
Quando
necessária, a internação ocorre por complicações
associadas como: depressão com risco de suicídio,
perda de peso acentuado com comprometimento do estado geral,
hipopotassemia seguida de arritmia cardíaca e nos casos
de comportamento multiimpulsivo (abuso de álcool, drogas,
automutilação, cleptomania, promiscuidade sexual).
Alguns
autores preconizam a prescrição de um plano
de alimentação regular. Um diário de
alimentação, pensamentos, sentimentos e comportamentos
experimentados em cada situação. Este diário
deverá ser discutido com o paciente de forma tranqüila
e franca.
A
psicoterapia pode ser de linha cognitiva e/ou comportamental
e deve ajudar o paciente no entendimento dos seus aspectos
dinâmicos assim como orientá-lo em questões
práticas, por exemplo: planejando antecipadamente os
horários quanto às atividades e refeições;
tentar comer acompanhado; não estocar alimentos em
casa; pesar-se apenas na consulta médica, etc.
Os
antidepressivos têm demonstrado maior eficácia
na diminuição dos episódios bulímicos;
esses incluem antidepressivos tricíclicos, ou ISRS
(inibidores seletivos da recaptação da serotonina),
como por exemplo a fluoxetina e a fluvoxamina, mesmo na ausência
de depressão coexistente. Outras medicações
foram usadas sem resultados promissores.

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