Diabetes e obesidade são males intimamente associados. Isso se
comprova pelo fato de que cerca de 80% dos portadores do tipo 2
não estar em paz com a balança. Porém, trabalhos recentes têm mostrado
que a redução do peso é uma medida fundamental para a prevenção
e o controle dessa doença. Tanto que o tema da campanha mundial,
realizada em 14 de novembro último, dia do Diabetes, foi a obesidade.
Na ocasião, a Federação Internacional do Diabetes, a Organização
Mundial da Saúde, a Iaso (Associação Internacional para o Estudo
da Obesidade) e suas filiadas no mundo uniram esforços para divulgar
a necessidade de deter ambas as epidemias.

"Pelo menos metade dos casos desse mal seriam eliminados se o ganho
de peso fosse controlado", avisa o endocrinologista Fadlo Fraige
Filho, presidente da Anad (Associação Nacional de Assistência ao
Diabético), de São Paulo (SP).
Um estudo patrocinado pela Associação Americana de Diabetes comprovou
o efeito preventivo de se combinar dieta e exercícios: pessoas que
já apresentavam alterações no metabolismo típicas da fase inicial
tiveram uma redução de 51% no risco de manifestar o distúrbio. Os
benefícios também são observados quando a enfermidade já se instalou,
pois o excesso de gorduras complica o quadro. Afinar, ao contrário,
não só ajuda no controle das taxas de açúcar no sangue, como favorece
o coração. "Em geral, indivíduos que sofrem com o tipo 2, além de
sobrepeso ou obesidade, apresentam pressão alta e taxas elevadas
de colesterol e triglicérides, o que aumenta o risco de infarto",
diz a nutricionista Alessandra Gonçalves de Souza, consultora da
Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), de São Paulo (SP).
As pesquisas comprovam que não é preciso chegar às medidas de uma
top model para defender a saúde. Pequenas perdas de peso, da ordem
de 7% ao longo de um ano e 5% nos três seguintes, já têm um impacto
bastante positivo no metabolismo: melhoram as taxas de açúcar e
de colesterol no sangue e baixam a pressão arterial, conforme constatou
um estudo conduzido pelo professor John Bantle, da Divisão de Endocrinologia
e Diabetes da Universidade de Minnesota (EUA).
Mas como afinar?
A maior dúvida talvez seja que dieta seguir. Um trabalho divulgado
em novembro avaliou o impacto de cinco cardápios atualmente em moda
entre os portadores de diabetes: Atkins, South Beach, dieta do PH,
do tipo sangüíneo e do ponto Z. A autora, Eleanor J. Baldwin, do
Centro de Diabetes do Hospital Westminster, em Londres, não recomendou
nenhuma delas para quem tem o mal. Motivos: há poucos trabalhos
confirmando a eficácia a longo prazo, além de oferecerem risco de
hipoglicemia (queda abrupta nas taxas de açúcar no sangue) e deficiência
nutricional. O uso de suplementos indicados em algumas dessas propostas
também não é aconselhado nesses casos.
Isso confirma que o jeito mais saudável e eficaz de enxugar o corpo
das gorduras extras é passar por uma reeducação alimentar completa,
que restrinja a ingestão de calorias para uma faixa de 1.000 a 1.200
por dia para as mulheres e de 1.200 a 1.600 para homens, segundo
as orientações da Associação Americana do Diabetes, publicadas nos
jornais Diabetes Care e no American Journal of Clinical Nutrition
em 2004.
Regimes mais drásticos (menos de 800 calorias por dia) emagrecem
rápido, mas podem ter conseqüências completamente indesejáveis para
um organismo que já inspira cuidados. Um programa adequado também
deve incluir exercícios físicos regulares - como por exemplo, 30
minutos diários de atividade de baixa intensidade (caminhada, hidroginástica).
O plano alimentar apresentado a seguir está de acordo com todas
essas orientações. Elaborado pela nutricionista Alessandra Gonçalves
de Souza, da ADJ, privilegia alimentos de baixo valor calórico e
ainda considera a principal tendência no controle do diabetes: a
contagem de carboidratos. O método responde à grande questão do
diabético depois da ingestão de açúcar: o consumo de carboidratos
simples, como pães, massas e doces. Todos eles fazem as taxas de
glicose no sangue subirem rapidamente, o que aumenta a necessidade
de insulina - conseqüência não associada com os carboidratos complexos,
encontrados em frutas, verduras, grãos e massas integrais, por serem
absorvidos lentamente pelo organismo. "Sabendo quanto carboidrato
um alimento fornece e o total aconselhado por refeição e por dia,
o diabético pode variar mais a alimentação, sem correr riscos",
explica a nutricionista. É possível, inclusive, saborear uma pizza,
um picolé de frutas ou até mesmo um pedaço de bolo.
O ideal é que a dieta seja personalizada, leve em conta as características
de cada paciente (gerais, como sexo, idade, peso, altura, nível
de atividade física, e, especialmente, doenças associadas, uso de
insulina ou outros remédios), além das preferências individuais.
Porém dá para recorrer ao cardápio ao lado, que aposta no controle
do peso e da glicemia. O valor calórico e o teor de carboidratos
de cada produto estão discriminados para que você possa trocar por
opções equivalentes, adaptando o menu ao seu gosto pessoal.
| Entenda melhor o diabetes |
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| A obesidade é um dos principais fatores de risco para
o tipo mais freqüente de diabetes, o 2, que se instala
quando o organismo não consegue utilizar de forma adequada
a insulina ou até deixa de produzi-la. Esta substância,
fabricada pelo pâncreas, tem a tarefa de fazer entrar
nas células a energia para a sua atividade, o açúcar obtido
dos alimentos. Quando não atua como deveria ou está em
falta, as taxas de açúcar no sangue sobem a níveis perigosos.
Resultado: os diabéticos estão 17 vezes mais sujeitos
a desenvolver doença renal, suas chances de ter infarto
ou derrame são de duas a quatro vezes maiores, fora o
perigo de cegueira e amputação dos membros inferiores.
Por tudo isso, o distúrbio é a quarta causa de mortes
no País. Mas há luz no fim do túnel: embora não exista
cura para o mal, o tratamento adequado reduz em até 70%
o risco de complicações. |
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