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Diabético: emagreça e conte carboidratos


Para o portador de diabetes, perder peso é fundamental. Mas qual o regimeindicado? A mais recente tendência são os planos alimentares que incluem a contagem de carboidratos

CRISTINA NABUCO


Diabetes e obesidade são males intimamente associados. Isso se comprova pelo fato de que cerca de 80% dos portadores do tipo 2 não estar em paz com a balança. Porém, trabalhos recentes têm mostrado que a redução do peso é uma medida fundamental para a prevenção e o controle dessa doença. Tanto que o tema da campanha mundial, realizada em 14 de novembro último, dia do Diabetes, foi a obesidade. Na ocasião, a Federação Internacional do Diabetes, a Organização Mundial da Saúde, a Iaso (Associação Internacional para o Estudo da Obesidade) e suas filiadas no mundo uniram esforços para divulgar a necessidade de deter ambas as epidemias.

 

 

"Pelo menos metade dos casos desse mal seriam eliminados se o ganho de peso fosse controlado", avisa o endocrinologista Fadlo Fraige Filho, presidente da Anad (Associação Nacional de Assistência ao Diabético), de São Paulo (SP).

 

Um estudo patrocinado pela Associação Americana de Diabetes comprovou o efeito preventivo de se combinar dieta e exercícios: pessoas que já apresentavam alterações no metabolismo típicas da fase inicial tiveram uma redução de 51% no risco de manifestar o distúrbio. Os benefícios também são observados quando a enfermidade já se instalou, pois o excesso de gorduras complica o quadro. Afinar, ao contrário, não só ajuda no controle das taxas de açúcar no sangue, como favorece o coração. "Em geral, indivíduos que sofrem com o tipo 2, além de sobrepeso ou obesidade, apresentam pressão alta e taxas elevadas de colesterol e triglicérides, o que aumenta o risco de infarto", diz a nutricionista Alessandra Gonçalves de Souza, consultora da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), de São Paulo (SP).

 

As pesquisas comprovam que não é preciso chegar às medidas de uma top model para defender a saúde. Pequenas perdas de peso, da ordem de 7% ao longo de um ano e 5% nos três seguintes, já têm um impacto bastante positivo no metabolismo: melhoram as taxas de açúcar e de colesterol no sangue e baixam a pressão arterial, conforme constatou um estudo conduzido pelo professor John Bantle, da Divisão de Endocrinologia e Diabetes da Universidade de Minnesota (EUA).

 

Mas como afinar?


A maior dúvida talvez seja que dieta seguir. Um trabalho divulgado em novembro avaliou o impacto de cinco cardápios atualmente em moda entre os portadores de diabetes: Atkins, South Beach, dieta do PH, do tipo sangüíneo e do ponto Z. A autora, Eleanor J. Baldwin, do Centro de Diabetes do Hospital Westminster, em Londres, não recomendou nenhuma delas para quem tem o mal. Motivos: há poucos trabalhos confirmando a eficácia a longo prazo, além de oferecerem risco de hipoglicemia (queda abrupta nas taxas de açúcar no sangue) e deficiência nutricional. O uso de suplementos indicados em algumas dessas propostas também não é aconselhado nesses casos.

 

Isso confirma que o jeito mais saudável e eficaz de enxugar o corpo das gorduras extras é passar por uma reeducação alimentar completa, que restrinja a ingestão de calorias para uma faixa de 1.000 a 1.200 por dia para as mulheres e de 1.200 a 1.600 para homens, segundo as orientações da Associação Americana do Diabetes, publicadas nos jornais Diabetes Care e no American Journal of Clinical Nutrition em 2004.

 

Regimes mais drásticos (menos de 800 calorias por dia) emagrecem rápido, mas podem ter conseqüências completamente indesejáveis para um organismo que já inspira cuidados. Um programa adequado também deve incluir exercícios físicos regulares - como por exemplo, 30 minutos diários de atividade de baixa intensidade (caminhada, hidroginástica).

 

O plano alimentar apresentado a seguir está de acordo com todas essas orientações. Elaborado pela nutricionista Alessandra Gonçalves de Souza, da ADJ, privilegia alimentos de baixo valor calórico e ainda considera a principal tendência no controle do diabetes: a contagem de carboidratos. O método responde à grande questão do diabético depois da ingestão de açúcar: o consumo de carboidratos simples, como pães, massas e doces. Todos eles fazem as taxas de glicose no sangue subirem rapidamente, o que aumenta a necessidade de insulina - conseqüência não associada com os carboidratos complexos, encontrados em frutas, verduras, grãos e massas integrais, por serem absorvidos lentamente pelo organismo. "Sabendo quanto carboidrato um alimento fornece e o total aconselhado por refeição e por dia, o diabético pode variar mais a alimentação, sem correr riscos", explica a nutricionista. É possível, inclusive, saborear uma pizza, um picolé de frutas ou até mesmo um pedaço de bolo.

 

O ideal é que a dieta seja personalizada, leve em conta as características de cada paciente (gerais, como sexo, idade, peso, altura, nível de atividade física, e, especialmente, doenças associadas, uso de insulina ou outros remédios), além das preferências individuais. Porém dá para recorrer ao cardápio ao lado, que aposta no controle do peso e da glicemia. O valor calórico e o teor de carboidratos de cada produto estão discriminados para que você possa trocar por opções equivalentes, adaptando o menu ao seu gosto pessoal.

 

Entenda melhor o diabetes
 
A obesidade é um dos principais fatores de risco para o tipo mais freqüente de diabetes, o 2, que se instala quando o organismo não consegue utilizar de forma adequada a insulina ou até deixa de produzi-la. Esta substância, fabricada pelo pâncreas, tem a tarefa de fazer entrar nas células a energia para a sua atividade, o açúcar obtido dos alimentos. Quando não atua como deveria ou está em falta, as taxas de açúcar no sangue sobem a níveis perigosos. Resultado: os diabéticos estão 17 vezes mais sujeitos a desenvolver doença renal, suas chances de ter infarto ou derrame são de duas a quatro vezes maiores, fora o perigo de cegueira e amputação dos membros inferiores. Por tudo isso, o distúrbio é a quarta causa de mortes no País. Mas há luz no fim do túnel: embora não exista cura para o mal, o tratamento adequado reduz em até 70% o risco de complicações.
 

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