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O direito à felicidade

 

No ano que se passou, quantas coisas você deixou de fazer devido a sua obesidade?

 

Deixou de freqüentar alguma festa? Deixou de sair com os amigos ou de paquerar alguém que julgava interessante? Evitou procurar emprego por achar que sua aparência contaria contra você?

Para muitas pessoas a obesidade acaba tornando-se um fator limitante, pois gera uma sensação de menos-valia e impotência. É importante compreender que mesmo estando acima do peso você tem o direito de aproveitar a vida, sem se privar de experiências prazerosas e sem boicotar seus planos futuros.

 

Para muitos obesos a felicidade está associada ao emagrecimento e enquanto esta meta não é atingida todos os outros planos são adiados. Em meu consultório, ouço com freqüência frases como: “assim que eu emagrecer vou começar a freqüentar festas, fazer amigos e, quem sabe, encontrar um grande amor!”. Mas por qual motivo não se pode começar a buscar estes objetivos no momento presente? Será que a felicidade só é possível quando se tem um corpo magro?

“Mas por qual motivo não se pode começar a buscar estes objetivos no momento presente? Será que a felicidade só é possível quando se tem um corpo magro?”

Obviamente as pressões sociais fazem com que muitos desistam de seus objetivos por medo de serem rejeitados devido a sua aparência. Uma das áreas mais afetadas costuma ser o campo afetivo, pois muitas pessoas deixam de paquerar ou de expressar seus sentimentos para aqueles que amam, por medo de não serem correspondidas. Conseqüentemente sentem-se sozinhos e infelizes e este estado de espírito em nada contribui para seu bem-estar físico e mental.

Outra situação bastante freqüente é o abandono de atividades que antes davam prazer ao indivíduo. Deixar de freqüentar lugares públicos como danceterias e bares e abandonar atividades de lazer são exemplos de limitações que muitos obesos impõem a si próprios. Considerando o impacto negativo destas atitudes, destaco a importância de refletir sobre o direito que cada indivíduo tem de divertir-se e de viver de forma prazerosa, independentemente do peso ou da aparência física.

 

Antes de concluir, devo destacar que não desejo expressar aqui a idéia de que as pessoas não devam se importar com seu excesso de peso. A obesidade é uma doença crônica que afeta o bem-estar geral do indivíduo e deve, portanto, ser tratada. Entretanto, enquanto o emagrecimento não ocorre, de nada adianta aumentar o próprio sofrimento impedindo a si mesmo de desfrutar das alegrias do cotidiano. A felicidade é um direito seu e alcançá-la é uma questão de atitude frente à própria vida!


Coluna assinada por:
Flávia Leão Fernandes

CRP 06/68043
Psicóloga clínica, Mestre em Psicologia pela Universidade de Londres, Inglaterra e especialista em Psicologia Hospitalar
com enfoque em obesidade.

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