
A obesidade sempre foi problema associado aos adultos. No entanto,
a cada ano, novos estudos vêm identificando a doença em um perfil
bem mais jovem: crianças e adolescentes. Não é segredo que os hábitos
alimentares de casa e da família são levados para a escola. É esse
o retrato mostrado na pesquisa inédita realizada por especialistas
da Unifesp, com o apoio do ILSI (International Life Sciences Institute),
com 8.020 crianças e adolescentes de escolas públicas e privadas
de São Paulo.
A combinação entre a má alimentação e o pouco exercício físico
é uma das principais causas da obesidade, expondo esses estudantes
até a alterações cardiovasculares. A questão atinge patamares altíssimos:
81% dos alunos de escolas particulares e 65% de escolas públicas
são sedentários.
Esse resultado foi obtido no estudo que mostra que as crianças
realizam menos de 10 minutos de exercícios por dia, quando o indicado
seriam pelo menos 30 minutos. Essa questão é mais séria quando se
verificam os altos índices de excesso de peso. "Mesmo entre as crianças
das escolas públicas, onde ainda há o hábito de brincar na rua,
o índice de sedentarismo é enorme", ressalta o nutrólogo e pediatra
Mauro Fisberg, especialista em obesidade infantil e coordenador
da pesquisa.
Embora a desnutrição sempre esteja na pauta de discussões sobre
a alimentação do brasileiro, a investigação mostrou que apenas 2,5%
dos estudantes pesquisados têm baixo peso. Entretanto, quando o
assunto é sobrepeso, os números pulam para 25%, ou seja, um em cada
quatro alunos estão acima do peso. Destes, 10% já obesos. Segundo
o médico, "essa pesquisa evidencia quase três vezes mais obesos
do que a realizada nas décadas de 70, 80 e 90".
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